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A urbanização traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento econômico. As cidades são centros econômicos de inovação, cultura, conhecimento, novas ideias e suas aplicações. Existe uma clara e positiva correlação entre o crescimento econômico e o grau de urbanização de um país. Embora nem todo país urbanizado seja desenvolvido, não há um único país desenvolvido que não esteja altamente urbanizado. Portanto, sem sombra de dúvidas, as cidades são polos de atração para talentos e capital humano.
Por outro lado, a urbanização acarreta imensos desafios sociais e econômicos. Nas cidades dos países emergentes, como o Brasil, o crescimento rápido da economia e da urbanização gera uma pressão muito forte na infraestrutura das cidades, gerando problemas de trânsito, quedas de energia, bolsões de pobreza, criminalidade e deficiências nos sistemas de ensino e saúde. O mesmo acontece em outros países, como na Índia, onde se estima que em 2050 cerca de 700 milhões de indianos estarão morando nos centros urbanos.
Uma volta pelo Brasil nos mostra que suas grandes cidades apresentam uma infraestrutura que não dá conta de seu crescimento. Em maior ou menor grau, os problemas são praticamente os mesmos. A densidade populacional cresce e este crescimento é desordenado e orgânico, com as cidades se espalhando em termos de população e área geográfica. Imaginando que a economia do país crescerá em torno de 5% ao ano, em cerca de cinco anos ela será quase 30% maior que hoje. Isto implica em mais carros nas ruas, mais aparelhos domésticos consumindo energia, mais procura por serviços, e assim por diante. Hoje, em algumas cidades brasileiras já se fala no “apagão da mobilidade”, com seu trânsito caótico e engarrafamentos crônicos afetando a qualidade de vida e roubando recursos da economia. Segundo a Fundação Dom Cabral, estima-se que somente em São Paulo, os gargalos urbanos roubem R$ 4 bilhões a cada ano.
Tentar resolver os problemas da maneira que comumente estamos acostumados, ou seja, apenas pelo lado físico, abrindo mais ruas e avenidas, construindo mais escolas e colocando mais policiais na rua, não será suficiente. Nem sempre haverá espaço para abrir novas avenidas e nem sempre será possível obter orçamentos que aumentem significativamente a força policial. Além disso, uma nova avenida pode simplesmente resultar em maior volume de tráfego, aumentando o problema e gerando mais poluição. Mas, é indiscutível que algo precisa ser feito urgentemente. E porque não começarmos a criar uma urbanização mais inteligente?
Precisamos resolver os dilemas econômicos, sociais e ambientais que nortearão as políticas públicas de forma inovadora, quebrando hábitos arraigados e gerando novos modelos de uso da infraestrutura urbana.
A tecnologia tem um papel fundamental neste processo “revolucionário”. Entretanto, as soluções para cada cidade não serão necessariamente as mesmas. As características específicas de cada uma demandarão soluções próprias, mas todas, sem dúvida, ancoradas no uso intensivo de tecnologias.
Por exemplo, algumas soluções inovadoras para transporte e trânsito já estão sendo colocadas em prática, com sucesso, em cidades como Estocolmo, Londres e Cingapura. Em Estocolmo, um novo sistema inteligente de pedágio reduziu de maneira impressionante os congestionamentos de tráfego e as emissões de carbono. Em Londres, um sistema de gerenciamento de congestionamentos reduziu o volume de tráfego a níveis da década de 1980. Em Cingapura, um sistema pode prever velocidades no tráfego com precisão de 90%. Com algumas melhorias, o sistema vai poder prever também, em vez de apenas monitorar, outras condições do trânsito.
Mas, porque fazer isso? Como as cidades são polos econômicos, indiscutivelmente que começarão a competir entre elas pela atração de mais negócios e fazer crescer sua economia. Para atrair talentos e negócios, é imprescindível uma infraestrutura de qualidade, que possibilite uma mobilidade urbana segura e adequada, que ofereça serviços de saúde e educação de bom nível, e que crie opções de lazer. Em resumo, ofereça qualidade de vida. As cidades deverão ser gerenciadas como empresas, visando crescimento econômico, mas aliando este crescimento à sustentabilidade e qualidade de vida. A atratividade baseada única e exclusivamente em isenção de impostos e doação de terrenos para indústrias está se esgotando rapidamente. A reengenharia do modelo de urbanização passa por um bom planejamento a longo prazo, perfeitamente conectado às inovações tecnológicas. A infraestrutura urbana deve ser baseada na convergência dos mundos analógicos e físicos, com o mundo digital.
Na Coreia do Sul está sendo construída uma nova cidade, chamada Songdo (http://www.songdo.com/) para servir de experimentação do modelo de urbanização do futuro. Mas, nem sempre será possível criar uma nova cidade e mudar a cidade antiga para o novo local. Portanto, os desafios para a criação de cidades inteligentes são imensos. Os processos de revitalização urbana devem ser elaborados e implementados sem interromper o dia a dia dos cidadãos.
A gestão das cidades pode, e deve, ser redesenhada. Muitas vezes os órgãos administrativos atuam de forma isolada, sem conexão entre eles. Ou atuam de forma sobreposta, com conflitos de interesse surgindo a todo instante. Processos arcaicos e a falta de tecnologia para integrar sistemas e dados também é outra fonte de ineficiência administrativa.
Os orçamentos são sempre limitados e muitas vezes falta planejamento nas ações. É comum vermos cidades resolvendo suas questões de infraestrutura através de medidas de curto prazo, sem sustentabilidade no longo prazo.
Portanto, para exercer seu papel de “motores da economia”, a maioria das cidades deve assumir atitudes pró-ativas e holísticas de melhoria de suas propostas de qualidade de vida para seus cidadãos. Redesenhar os modelos obsoletos de gestão e processos de governança que, na maioria das vezes, não se alinham mais com a complexa sociedade em que vivemos. E reconhecer o papel fundamental que as tecnologias podem assumir nos seus projetos de urbanização sustentável.
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